
De manhã cedo, Sphinx nos deixou. Sem nenhuma recomendação, nenhuma dica. A porta da van abriu num estacionamento fechado repleto de carros e ela desceu sem a ajuda do motorista, deslizando em uma rampa que a conduziu por um caminho direto até um elevador. Na porta do elevador, uma mulher uniformizada a recebeu sorrindo, abriu a porta para que entrasse e depois disso só o que vimos foi sua cadeira de rodas motorizada desaparecendo através da porta. Olhei para cima, de dentro da van, e antes que pudesse distinguir o logotipo estampado por toda a parte, nossa porta fechou-se. O motorista ficou do lado de fora, mas antes ligou o ar-condicionado da cabine e o frio que ele jogou sobre nós era bem menor que o frio que crescia dentro de mim, pelo menos, mesmo que eu tentasse não demonstrar isso.
“Fica tranquilo, Delest, ela sabe o que faz. Não sei se alguém já disse, mas ela é filha de um dos diretores da empresa. Esse trajeto ela faz todos os dias. Ninguém mais conseguiria instalar Morphopolis aqui.”, Blinker diz enquanto examina Antonio, tentando adivinhar o calafrio que lhe percorre o corpo. Dos sete, restam ali apenas os dois. Os demais agirão de outros lugares, mas atuarão apenas como jogadores comuns procurando despistar e encobrir o tráfego de dados de forma segura. Depois de receber de Sphinx as instruções, puderam voltar para suas casas. Blinker e ele precisam estar ali para poder captar a frequência da rede com uma única camada de proteção. E isso só pode ser feito do lado de dentro dos muros.
“Ainda falta uma hora, pelo menos, até que Sphinx envie o sinal.” Blinker parece um pouco diferente agora, já não parece tão surpreso com suas habilidades, com o que ele pode fazer ou demonstrar. Será uma hora bem demorada. Tempo suficiente para que possam conhecer-se um pouco mais.
“Me fale sobre Marcela. É tão bonita quanto nas fotos?”


