o couro nas estacas
o frio, osso duro, o ouro puro
dentro, o escuro traz as suas vozes
ditando ordens ao dia, lá fora
agora vá, sol, e amanheça,
traz os cavalos, também
vamos,
que ainda é tarde
(eu nem conheço mais
minhas lembranças
mas sei que elas estão lá
mudando o que sou no presente)
o tempo é sempre esse
fiapo de lã preso ao cabelo, a germinar
a voz é sempre firme
ela precisa dominar o universo
e conduzir, de uma só vez,
os animais
mas o universo é duro também,
e encardido, igual as pedras do cerro
nós vamos chegando até ele
tão juntos e tão separados
lá fora estão as nossas palavras,
o riso que ainda faz eco
o suor derramado sobre a terra
sem rito nem tato
nós já chegamos, de volta
e eu tenho agora suas vidas como a minha própria vida
poderia ajudá-los com o frio, com o calor
um gole d’água, ou simplesmente ficar por perto
(é sempre de longe
que se pode ver o passado)
não há tempo que chegue, mas vamos,
o vento sempre me traz de volta pra dentro



