
E quem não pensa sempre no pior? Não se trata de culpa, mas de ser realista. Encarar os fatos é preciso. A vida não é sempre como se quer, mas como pode ser. Lá vem ele, o ônibus. E dentro dele, ela.
Maria João foi a última a descer do ônibus. Ela espera que descarreguem as malas até conseguir pegar a sua, em uma fila de muitas pessoas. O calor é intenso e faz com que os mais velhos comecem a passar mal. Maria João está ajudando uma velhinha com as malas quando Vitória a enxerga de longe, ao subir à plataforma de desembarque, lotado de gente. Enquanto ela se aproxima, a multidão às vezes apaga e às vezes está mostrando sua figura. Franzina, desde pequenina.
“Deixe eu lhe abraçar, depois me conte tudo.”
A irmã carrega a sua mala e a leva pelo braço, olhando para os lados. “Esse lugar não mudou nada. Onde fica mesmo o ponto de táxi?”
Agora tenho de contar meu fracasso. Não consegui proteger meu filho, não consigo cuidar sequer de minha vida, sou um frangalho ambulante. Olhe para os meus cabelos… O que, afinal, ela quer que eu conte? Já vai começar a tortura?
“E o gênio, está em casa?” “Táxi, táxi!! Pare, seu maldito!”


