Na minha vi
da tenho aprendido muitas coisas que não me servem pra nada. A vida inteira tem sido assim. Sou vítima de um engano e de um engodo. Falo da minha origem e da minha educação. Pelo menos a maior parte dela. Meu pai e minha mãe. Os dois são crianças que esperam que eu cresça de uma vez e possa vir a cuidá-los. Eu não trocaria de vida, mas preciso que me escutem, sem julgamentos ou lições. Um pouco apenas, de vez em quando, me bastaria. Só que pra isso, preciso sumir um pouco. Por isso embarquei nessa viagem. Por isso estou aqui. Mas, por melhor que tudo isso pareça, no fundo eu também espero que isso tenha um fim.
“Quanto falta?”, pergunto a Blinker a minha frente, que é como posso lhe ver, apesar de estar bem ao meu lado. “Quase nada. Agora ela vai abrir o jogo e nós entramos.”
Como ele disse, ali está o cenário. A cidade é perfeita. Funciona nos mínimos detalhes. Prédios, lugares. Ele ainda está montando a cidade e por enquanto não há vida ali, a não ser árvores e animais de estimação. Eles precisam passar despercebidos e ver o que há do outro lado. Mas, como é uma simulação e Sphinx é quem está dirigindo a cena, ela vai achar a todos, não há dúvidas sobre isso. Na verdade, já achou, mas deixa que todos ocupem seus lugares e cumpram todos os passos. Amanhã, entretanto, ela não estará lá.
“Delest, você já copiou a chave?”, Blinker pergunta. “Esqueceu que eu só estou aqui porque não preciso copiar nada?”, respondeu. “Vamos então”, prossegue Blinker. Antonio demora-se um pouco observando o lugar, registrando os detalhes modificados e vê todos sumirem porta adentro. Por fim, ele vai junto e lacra a cidade, deixando-a como sempre esteve.


