uns pensam na poesia
como pensam nos ventos alísios
eu penso como num terremoto
ou como num dragão
sua baba e sua cauda
um ser que se confundisse a um cão
mas não perdesse, por dentro, a sua fera
e emergisse de repente
com um tremor na terra inteira
crestando a atmosfera
um animal impossível
vestido só com o que há sob a pele
e as coisas que ele quer
não se pode desejar
e tudo o que ele vê
é só o que não se pode ter
sairei ao seu lado
como se ele fosse eu
e o quanto pudermos
esmagaremos o tempo
com todo o nosso peso
e a nossa pata
por um instante estarei aos seus pés
e à sua soberba
revelarei o nada que vale o seu tesouro
de sucatas e emoções ocultas
mesmo que ele me mate outra vez
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Mozdzer, Fresco, Danielsson – Psalmen, Suffering



